domingo, 16 de junho de 2013

Um desabafo sobre meu complexo

Complexo. Sim, eu o tenho. 


Complexo com algo que aconteceu há dez anos atrás, no dia 28 de setembro de 2002, que esse ano completará onze anos. Desde aquele dia que eu resolvi ir no mercado de bicicleta e um chevete resolveu me atropelar, eu caminho lado a lado a um complexo em especial.

Meu atropelamento resultou em várias cicatrizes pelo corpo, uma delas na perna esquerda, do joelho até o tornozelo. Essa perna quebrou no acidente e eu tinha duas opções: amputar ou fazer um corte pro sangue circular, devido a trombose. A escolha foi óbvia: faz o corte, disse minha mãe. Antes retalhada que perneta, né?

Pois bem.

A quantidade de vezes que já ouvi "poderia ser pior" é enorme. A quantidade de vezes que já ouvi "não liga pra isso" foi absurda. E vocês acham que eu consigo? Não. Quase onze anos e eu não consigo superar, não consigo olhar, não consigo usar shorts na frente de muitas pessoas, nada.

No começo desse ano fui pra praia e consegui usar pois enfiei na minha mente que era hora de uma mudança. Era hora de agradecer a vida, a perna, aos meus vinte e um anos que poderiam não ter chegado.

E sabe o que é mais babaca da minha parte? Não é ligar pras pessoas ou pra o que vão falar. É pensar que nenhum homem vai me amar por eu ser retalhada. Afinal, além de retalhos físicos, eu tenho retalhos emocionais por causa disso tudo. E o meu maior medo é que ninguém me aceite assim.

Bobinha, não?

Na foto: o carinha com a cicatriz mais legal de todas.

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