Essa noite, voltando a pé da faculdade, olhei, de relance, pra dentro de duas casas. Em ambos lugares, vi famílias conversando enquanto jantavam. Foi então que me dei conta que minha maior tristeza não é ser gorda, ter cicatrizes ou não ter alguém que me ame. A angústia que eu sinto, e que não sei explicar, é frustração. Não ter isso que essas pessoas têm. "Mas, Letícia, tu moras sozinhas, é óbvio que vais sentir isso", voltar pra solidão do meu apartamento é uma coisa, eu sei que aqui vivo sozinha, no meu mundinho e na minha sujeira. O atrito é, ao voltar pra minha cidade, eu não ter a família dita ideal pela sociedade. As pessoas não sabem como eu as invejo quando comentam: "vou viajar com a minha família nas férias". Eu não tenho isso e eu me odeio por não aceitar a minha realidade. Sei que muitos vivem realidades parecidas com a minha e gostaria de entender como eles aceitam isso de maneira com que não os corroa por dentro.
Há semanas que não chorava.
Hoje chorei de saudade de uma vida que nunca terei.

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