Há cinco dias não fazia sol. O clima lá fora anunciava uma época de frio e chuva. O sol até que tentava aparecer mas era impedido por uma camada espessa de nuvens, que bloqueavam os raios de chegar até a terra. Na terra, Ana tentava se concentrar, mas algo não saia da cabeça dela. Um nome? Talvez. Mas não era nisso que ela queria pensar, ela estava agoniada. Era isso. Agonia.
Agonia de tanta coisa. Agonia do passado que voltava a cada momento como um fantasma, tentando assombrar tudo que ela resolvia viver de novo. Ela queria deixar o passado guardado num baú, com vários cadeados, mas ele cismava em sair e vir de encontro a ela, em qualquer esquina, a qualquer momento. Agonia, também, do presente, que de presente não tinha nada. Só se fosse um presente mandado por um inimigo, aí talvez fizesse sentido.
Nesse momento, Ana travou, um nome voltou a martelar na sua cabeça, logo tratou de pensar em outra coisa. Café. Isso. Café. Começou a pensar em como o café amargo refletia na sua atual situação. Situação? Que situação? E o nome voltou a aparecer.
Era inevitável. O passado, o nome, tudo. Nada parecia querer ir embora. "Que saco" ela pensou, fechou tudo que estava fazendo e resolveu sair.
Caminhando pela rua ela avistou o cemitério, logo ali, na esquina de casa. Tentou evitar mas teve que entrar.
Sentou na frente de uma lápide e permitiu uma lágrima molhar seu rosto.
A agonia não era agonia, era apenas saudade.
Nenhum comentário:
Postar um comentário