sábado, 6 de abril de 2013

Parece certo

Dois quartos da garrafa já não estavam mais ali e as palavras não existiam mais. Os dois se olhavam como se estivessem petrificados, o único movimento era o da mão ao levar o copo até a boca pra aumentar a embriaguez. Ambos não sabiam definir esse momento, era uma vontade estranha de apenas se olhar. Não queriam beijos, abraços, pele na pele. Queriam apenas ficar ali, um fitando o outro. Os olhos pretos dele enfeitiçavam ela da maneira mais mágica possível e o olhar penetrante dela, fazia arrepiar todos os pelos do corpo dele. 

Era estranho, difícil de conviver e impossível de explicar. Não sabiam se era amizade, amor ou apenas um carinho eterno de duas almas que se encaixaram perfeitamente. A alma era vista ali, entre um piscar e outro dos olhos de cada um. 

Alguns engasgos com a bebida quebraram o silêncio e os dois começaram a rir um do outro, um pro outro, um com o outro. Aquela sensação de que parecia certo fez com que os dois se deixassem levar. E só assim descobriram que aquilo não era amizade, nem carinho, era amor.

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